Quase metade dos municípios brasileiros que enviaram informações ao Ministério da Saúde apresenta índices de alerta ou risco para a presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e da zika. Os dados do levantamento foram divulgados nesta semana e reforçam a necessidade de intensificar as medidas de prevenção antes do período de maior circulação da doença.
A médica infectologista Silvia Fonseca alerta que a população deve eliminar possíveis criadouros do mosquito e verificar a situação vacinal das crianças de 10 a 14 anos. Segundo a especialista, embora a dengue seja recorrente no país, a ausência de uma grande epidemia nos últimos anos não significa que o risco tenha diminuído.
A médica relembra que 2024 foi marcado por um grande surto da doença, com cerca de 6 milhões de pessoas afetadas e 6 mil mortes, conforme os números mencionados na entrevista. Ela destaca ainda que uma segunda infecção por dengue pode aumentar o risco de complicações, especialmente entre crianças.
Prevenção em casa
Segundo Silvia Fonseca, não é necessário acumular grandes volumes de água para favorecer a reprodução do mosquito. Pequenas quantidades, como as que ficam em tampinhas de garrafa, já podem servir de criadouro. Vasos de plantas, pratos, recipientes de animais domésticos e objetos acumulados nos quintais estão entre os pontos que exigem atenção.
A infectologista recomenda retirar a água dos recipientes, lavar os pratinhos de plantas e trocar diariamente a água oferecida a cães e gatos, além de eliminar entulhos e outros objetos que possam acumular água.
Leia também
- MEC reprova quase metade de alunos de medicina em faculdades privadas e acende alerta sobre formação médica
- Quase metade dos profissionais relata insegurança psicológica no trabalho, alerta especialista
- Quase metade dos adultos não mediu a pressão arterial no último ano, alerta Sociedade de Cardiologia
A especialista também ressalta que a prevenção deve começar antes do período de maior circulação da dengue. Segundo ela, os casos costumam atingir o pico em fevereiro e março, podendo se estender até abril em períodos de epidemia. Por isso, outubro já é um momento importante para intensificar os cuidados.
Vacinação infantil
Silvia Fonseca destaca a importância de completar o esquema de vacinação contra a dengue para crianças de 10 a 14 anos. A vacina mencionada pela médica é aplicada em duas doses, com intervalo entre elas, e a orientação é conferir a caderneta de vacinação.
De acordo com a infectologista, a disponibilidade limitada de doses para atender toda a população levou à priorização desse grupo etário na estratégia de vacinação citada na entrevista. A médica também explica que outra vacina contra a dengue começou a ser disponibilizada inicialmente para profissionais de saúde, diante das limitações de produção.
A proteção dos trabalhadores da saúde é importante, segundo Silvia, porque os profissionais também podem adoecer durante períodos de maior circulação do vírus, comprometendo a capacidade de atendimento nos hospitais e prontos-socorros.
Grupos de risco
Durante a entrevista, os apresentadores mencionaram dados da Prefeitura de Ribeirão Preto que apontavam 388 casos confirmados de dengue no município naquele ano. A faixa etária de 20 a 39 anos concentrava 165 registros, o maior número entre os grupos citados.
A infectologista explica, porém, que os extremos de idade exigem atenção especial. Ela relata que já observou casos em bebês, inclusive recém-nascidos, e alerta que pessoas mais velhas podem sofrer complicações porque a dengue pode agravar doenças preexistentes, como problemas cardíacos, pulmonares e diabetes.
A médica ressalta que a doença pode evoluir de forma grave em diferentes faixas etárias. Por isso, a principal recomendação é evitar a infecção com a eliminação de criadouros, a adoção de medidas preventivas e a vacinação conforme as orientações de saúde.



