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Dia Mundial Sem Carro expõe desafios da mobilidade urbana em Ribeirão Preto

Psicólogo social destaca dificuldades do transporte público e defende planejamento integrado para reduzir a dependência do carro na cidade
Dia Mundial Sem Carro
Foto: Reprodução

O Dia Mundial Sem Carro, celebrado nesta segunda-feira (22), colocou em discussão os desafios para quem precisa se deslocar por Ribeirão Preto sem utilizar veículo particular. Para o psicólogo social Dário Teófilo, do Instituto Ribeirão 3º, a possibilidade de deixar o carro em casa depende das alternativas oferecidas pela própria cidade.

Segundo Dário, quando o transporte público exige várias conexões e pode levar horas para atravessar a cidade, o uso do carro deixa de ser apenas uma escolha e passa a ser uma necessidade para parte da população. Ele também defende que a mobilidade seja analisada como uma rede, envolvendo ônibus, ciclovias, calçadas e os deslocamentos entre casa, pontos de transporte e destinos.

O tema também foi levado aos ouvintes da CBN Ribeirão Preto. Entre as mensagens recebidas, houve relatos sobre dificuldades para utilizar o transporte coletivo e críticas à falta de conexões entre diferentes regiões da cidade.

Transporte público

Dário afirma que o Dia Mundial Sem Carro pode ser utilizado como oportunidade para que os moradores façam uma experiência prática e avaliem quais deslocamentos poderiam ser realizados sem veículo particular. Ele sugere, por exemplo, consultar aplicativos de mapas para verificar linhas de ônibus, conexões e tempo necessário para chegar ao destino.

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Para o psicólogo, porém, a responsabilidade não pode ser colocada somente sobre os moradores. É necessário avaliar a qualidade do transporte oferecido, o tempo de espera, as conexões entre bairros, o funcionamento das faixas exclusivas e a execução do plano de mobilidade de Ribeirão Preto.

“Não dá para colocar a responsabilidade nas pessoas. A gente precisa perguntar que cidade a gente oferece”, afirmou Dário.

Mobilidade urbana

O especialista também destaca que a mobilidade não envolve apenas o transporte coletivo. Segundo ele, o trajeto até o ponto de ônibus, as condições das calçadas, a acessibilidade e a segurança para pedestres e ciclistas fazem parte da experiência de deslocamento.

Dário cita ainda a importância das árvores para melhorar as condições dos trajetos e reduzir a temperatura da cidade. Ele também defende que Ribeirão Preto discuta o uso dos espaços urbanos e a relação entre planejamento da cidade e dependência do automóvel.

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“A mobilidade é também uma questão de saúde mental. Não é só o tempo de deslocamento”, disse.

Planejamento

Para Dário, o planejamento precisa considerar a mobilidade como uma rede integrada. Ele afirma que não basta oferecer um ônibus com ar-condicionado se o passageiro passa muito tempo esperando em um ponto sem cobertura, assim como uma ciclovia não resolve o deslocamento se termina em um trecho considerado inseguro.

O psicólogo também cita alternativas como o compartilhamento de viagens por meio de caronas e mudanças no planejamento urbano para aproximar moradia e estrutura de mobilidade. Na avaliação dele, soluções para os problemas de circulação precisam considerar o crescimento da cidade e os impactos do uso individual do automóvel.

“Para problemas complexos, a gente não consegue resolver com resposta simples”, afirmou Dário.

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