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Operação contra venda de medicamentos falsificados para câncer prende três pessoas

Investigação aponta que esquema continuou ativo após primeira fase, em 2024; Justiça também bloqueou R$ 15 milhões e suspendeu sete empresas
operação
Divulgação/Polícia Civil

Uma operação coordenada pelo núcleo de Ribeirão Preto do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu três pessoas suspeitas de participar de um esquema de venda de medicamentos falsificados contra o câncer. A ação, realizada nesta quinta-feira, é resultado de uma investigação iniciada em 2024 e aponta que a comercialização dos produtos continuou mesmo depois da primeira fase da operação.

Batizada de Lazios, a operação é realizada em conjunto pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. A investigação começou após uma distribuidora de Araraquara ser identificada como responsável pela venda de um medicamento oncológico falsificado a um hospital de São Paulo.

Segundo a Polícia Civil, mesmo após saber que era investigada, a empresa teria retomado a comercialização dos produtos em 2025. Com o avanço das apurações, foram identificadas novas negociações, o que levou à solicitação de prisões preventivas e de outros mandados de busca e apreensão.

Prisões e apreensões

Nesta quinta-feira, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades paulistas, entre elas Araraquara, Matão, Agudos, Mirassol, Marília e a capital. Três pessoas foram presas preventivamente: duas mulheres, de 45 anos, em Araraquara, e um homem em São Paulo.

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Na capital, outro homem, de 28 anos, foi preso em flagrante por suspeita de integrar a organização criminosa. Ele estava com medicamentos oncológicos da mesma marca e, segundo a investigação, possivelmente do mesmo lote de falsificação dos produtos apreendidos anteriormente.

Durante a operação, foram apreendidos quase R$ 12 mil em dinheiro, dez notebooks e computadores, celulares e dois veículos. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 15 milhões em contas de empresas e pessoas investigadas, além da suspensão das atividades de sete empresas.

De acordo com o delegado Georgines Santiago, a análise do material apreendido na primeira fase da operação permitiu aprofundar a investigação e reunir novos indícios dos crimes. A Polícia Civil avalia que as prisões podem ter interrompido a comercialização ilegal.

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Medicamento falsificado

Um dos casos mais graves identificados na investigação envolve nove unidades falsificadas do medicamento Opdivo, vendidas a um hospital de Araras em abril de 2025. Uma das unidades chegou a ser aplicada em um paciente. As outras oito foram recolhidas e substituídas.

O Ministério Público informou que, até o momento, não há confirmação de que algum paciente tenha sofrido problemas de saúde em decorrência da aplicação dos medicamentos falsificados. Segundo o promotor do Gaeco, Júlio Saraiva, os hospitais identificavam sinais de falsificação e acionavam a farmacêutica responsável.

O promotor afirmou que a investigação continua para identificar possíveis aplicações dos produtos e outros envolvidos no esquema. A análise dos equipamentos eletrônicos e documentos apreendidos também deve ajudar a esclarecer a movimentação financeira do grupo, que comercializava medicamentos de alto custo.

Ribeirão Preto

Em relação a Ribeirão Preto, o Ministério Público informou que não há indícios de que hospitais do município tenham recebido medicamentos falsificados. O caso mais próximo identificado até agora é o do hospital de Araras.

As equipes continuam analisando o material apreendido para identificar quais hospitais receberam os produtos e verificar a possível participação de outras pessoas e empresas no esquema.

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