Sentir as pernas pesadas, inchadas ou doloridas ao fim do dia pode estar relacionado à rotina, especialmente para quem permanece muitas horas sentado ou em pé. No entanto, quando esses sintomas aparecem com frequência ou persistem mesmo após o repouso, podem indicar um problema circulatório que precisa ser investigado.
A médica vascular Dra. Talita Favaretto explica que o calor e a permanência prolongada em uma mesma posição podem provocar cansaço e algum inchaço nas pernas. Porém, a recorrência dos sintomas, mudanças na coloração da pele e o surgimento ou aumento de veias aparentes são sinais que merecem avaliação profissional.
Segundo a especialista, um dos principais cuidados é não considerar esses sintomas como algo necessariamente normal. A avaliação pode ajudar a diferenciar manifestações relacionadas à rotina de condições que exigem acompanhamento.
Sinais de alerta
Entre os sinais que não devem ser ignorados estão o inchaço que já aparece ao acordar e tende a piorar ao longo do tempo, veias que ficam mais aparentes e alterações na coloração da pele. Pontos avermelhados ou amarronzados também podem indicar que a circulação precisa ser avaliada.
Quando o desconforto melhora depois de um banho e de manter as pernas elevadas, pode estar relacionado ao próprio cotidiano. Mesmo assim, a médica recomenda avaliação para descartar outros problemas e acompanhamento periódico.
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Já quando o inchaço e a dor não melhoram com o repouso, permanecem durante a noite ou aparecem de forma súbita, é necessário buscar atendimento. Uma perna que fica rapidamente inchada, quente, endurecida ou muito vermelha, com dificuldade para caminhar ou apoiar o pé, exige atendimento mais urgente para investigar a possibilidade de trombose.
Varizes
As varizes são frequentemente associadas apenas à questão estética, mas a médica explica que é importante diferenciar as alterações nas veias superficiais de problemas que envolvem o sistema venoso profundo.
Os chamados vasinhos também não significam necessariamente a existência de uma doença mais grave. Eles podem estar relacionados à genética, à rotina e à fragilidade dos vasos. Por isso, a avaliação é importante para determinar se a alteração tem caráter predominantemente estético ou se existe algum problema circulatório associado.
Histórico familiar de varizes, idade, gestação, ganho de peso, falta de atividade física, tabagismo e permanência prolongada em uma mesma posição estão entre os fatores que podem aumentar a predisposição a problemas venosos.
Prevenção
Para quem trabalha muitas horas sentado ou em pé, a orientação é evitar permanecer imóvel por longos períodos. Caminhar um pouco durante o expediente e movimentar os pés, inclusive com movimentos circulares, pode facilitar o retorno venoso.
A médica também cita o uso de meias de compressão como uma possibilidade, com modelos que podem ser adaptados às diferentes situações. A indicação deve considerar as características de cada pessoa.
A prática regular de atividade física, a alimentação saudável, o controle do peso e o hábito de não fumar também contribuem para a saúde circulatória. Pessoas com histórico familiar de problemas venosos podem procurar um médico vascular para avaliação preventiva, que pode incluir exame de ultrassom Doppler.



