Uma pesquisa desenvolvida por cientistas do Hospital de Amor, em Barretos, identificou indicadores no sangue que podem ajudar a prever quais pacientes com melanoma avançado têm mais chances de responder à imunoterapia. A descoberta pode contribuir para a escolha de tratamentos mais personalizados contra o câncer de pele.
O estudo analisou 136 pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2016 e 2024. Os pesquisadores observaram que características relacionadas ao estado inflamatório e imunológico do organismo, identificadas antes do início da terapia, podem estar associadas à resposta ao tratamento.
Segundo a pesquisadora do Hospital de Amor, doutora Lídia Rebolho, os resultados ainda precisam passar por uma etapa de validação, mas já representam um avanço. “O estado inflamatório, o estado imunológico desse paciente, como o organismo dele está respondendo antes mesmo de iniciar a terapia, já pode nos fornecer respostas muito importantes sobre a possibilidade ou não do benefício no tratamento”, explicou.
Marcadores no sangue
Entre os indicadores identificados estão níveis elevados de interleucina 6 (IL-6) e maior quantidade de monócitos. Os pesquisadores observaram que pacientes com esses perfis mais inflamatórios apresentaram uma associação com respostas menos favoráveis à imunoterapia.
Os monócitos são células que fazem parte do sistema de defesa do organismo, enquanto a interleucina 6 é um marcador inflamatório. De acordo com Lídia, um dos pontos importantes da descoberta é que esses indicadores podem ser identificados por meio de exames de sangue de rotina.
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“São exames que são baratos, de fácil acesso, que nos deram uma informação muito importante antes desse paciente começar essa terapia, que é tão cara”, afirmou a pesquisadora.
O acompanhamento dos pacientes considerou a evolução clínica e a resposta ao tratamento por mais de seis meses. A análise dos resultados pode ajudar os médicos a avaliar as chances de benefício da imunoterapia e a considerar alternativas mais adequadas para cada caso.
Medicina de precisão
A pesquisa também prevê o desenvolvimento de uma espécie de calculadora biológica. A ferramenta deve reunir informações dos exames de sangue e outros indicadores relacionados ao tumor para auxiliar os médicos na escolha do tratamento.
A proposta é utilizar, sempre que possível, marcadores mais baratos e já presentes na rotina clínica. A pesquisadora ressaltou que os resultados não permitem afirmar com certeza como cada paciente vai responder, mas podem contribuir para decisões mais individualizadas.
A imunoterapia é um tratamento de alto custo e ainda não faz parte da rotina de atendimento pelo SUS. Por isso, a identificação de pacientes com menor probabilidade de benefício pode ajudar a direcionar os recursos públicos e avaliar outras opções terapêuticas.
Próximas etapas
O próximo passo é ampliar a pesquisa e validar os resultados com um número maior de pacientes. Para isso, os pesquisadores pretendem estabelecer parcerias com outros centros oncológicos brasileiros, especialmente para avaliar os dados em pacientes atendidos pelo SUS.
A equipe também considera o uso de inteligência artificial para analisar grandes volumes de informações e identificar padrões que possam contribuir para o tratamento.
Lídia Rebolho destacou que a tecnologia pode ajudar a processar os dados e oferecer informações mais precisas para beneficiar os pacientes.
Além dos avanços no tratamento, a pesquisadora reforçou a importância da prevenção do câncer de pele. “A prevenção é sempre o mais importante. A gente tem que fazer a nossa parte, já que a nossa genética a gente não pode modificar”, afirmou.


