O sorvete americano, preparado na hora diretamente em uma máquina, mantém espaço na memória afetiva de moradores de Ribeirão Preto. A tradição pode ser encontrada no Mercadão da cidade e chama a atenção justamente pela maneira de preparo e pelas lembranças que desperta em quem consumia o produto na infância.
O comerciante Elídio Moreira decidiu investir no produto ao perceber que os vendedores tradicionais, em sua maioria pessoas mais velhas, estavam deixando de trabalhar com o sorvete. Segundo ele, atualmente são duas lojas em Ribeirão Preto.
A receita também se diferencia dos sorvetes convencionais. A mistura leva gelatina sem sabor e saborizante, passa por uma câmara gelada e é batida até adquirir a textura cremosa. O processo leva menos de um minuto.
Origem brasileira
Apesar do nome, o sorvete americano surgiu no Brasil na década de 1960, segundo Elídio. A criação foi uma alternativa aos sorvetes convencionais, que tinham ingredientes mais caros, como manteiga e leite em pó.
A receita passou a utilizar gelatina como base e recebeu o nome de sorvete americano. O comerciante ressalta que, apesar da denominação, o produto não tem origem nos Estados Unidos.
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Memória afetiva
Para Elídio, a tradição permanece porque o sorvete é associado às lembranças da infância. No Mercadão, é comum que pais e avós levem crianças para experimentar o mesmo produto que consumiam quando eram pequenos.
Segundo o comerciante, alguns clientes chegam a se emocionar ao lembrar de familiares que os levavam para tomar sorvete. A experiência também desperta a curiosidade das crianças, que muitas vezes experimentam o produto pela primeira vez e aprovam o sabor.
Sabor de infância
O cliente Ademir Lima é um dos consumidores que mantém essa relação afetiva com o sorvete americano. Ele conta que o sabor de uva é o seu preferido e que o produto o faz lembrar da infância e dos momentos em que ia com a mãe comprar sorvete.
Ao reencontrar o produto, Ademir também teve uma preocupação específica: verificar se o sabor continuava igual ao que lembrava. Segundo ele, a experiência confirmou a memória que tinha do sorvete.
A permanência da tradição, portanto, vai além do próprio doce. O sorvete americano continua sendo associado a lembranças familiares e a experiências de infância, enquanto novas gerações têm a oportunidade de conhecer o produto.



