Uma operação resgatou 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma fazenda de Terra Roxa, no interior de São Paulo. A ação foi realizada pelo Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego e Polícia Federal, após denúncias sobre irregularidades no local.
Os trabalhadores, vindos da Bahia e de Minas Gerais, atuavam no plantio de cana-de-açúcar e viviam em condições consideradas degradantes. Parte deles já se preparava para deixar o local diante da falta de garantias trabalhistas e da situação de vulnerabilidade.
A fiscalização encontrou alojamentos precários, com superlotação, falta de higiene e estruturas inadequadas. Segundo os auditores, havia casas sem condições de uso, banheiros danificados e ausência de chuveiros adequados. Em alguns casos, trabalhadores improvisavam banhos com garrafas PET. Três dos quatro alojamentos vistoriados foram interditados pelas autoridades devido às condições insalubres.
Responsabilização
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, os trabalhadores eram contratados por uma empresa com intermediação de outra pessoa. Após o resgate, o empregador passou a ser responsável pelo pagamento das verbas rescisórias, além de garantir hospedagem temporária e transporte de volta às cidades de origem.
Durante audiência, a empresa alegou não ter condições financeiras de arcar com os custos. Diante disso, uma usina beneficiária da produção realizou o pagamento de mais de R$ 500 mil como forma de garantir assistência aos trabalhadores.
O valor será depositado diretamente aos trabalhadores, com acompanhamento dos auditores fiscais e do Ministério Público. A medida busca assegurar o recebimento das verbas e o retorno seguro aos estados de origem. O MPT também deve emitir recomendação para que a usina reforce a fiscalização da cadeia produtiva, com o objetivo de evitar novos casos de exploração em atividades semelhantes.


