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Alzheimer não está relacionado a todo esquecimento na velhice, explica neurologista

Francisco Vale destaca sinais de alerta, importância do diagnóstico precoce e avanços nos exames e tratamentos para a doença
Alzheimer
Francisco Vale destaca sinais de alerta, importância do diagnóstico precoce e avanços nos exames e tratamentos para a doença

Nem todo esquecimento durante o envelhecimento é sinal de doença de Alzheimer. Segundo o neurologista Francisco Vale, lapsos considerados parte do envelhecimento normal são leves e não comprometem a autonomia ou a capacidade de realizar atividades do cotidiano.

O alerta ocorre quando a perda de memória passa a prejudicar a independência da pessoa. Nesse caso, é necessário investigar as causas, que podem incluir a doença de Alzheimer. O médico participou do Manhã CBN nesta segunda-feira (21), Dia Mundial de Conscientização sobre a doença.

Entre os principais sinais estão a perda de memória recente, dificuldades de raciocínio, atenção e concentração, além de problemas de orientação espacial e temporal. Segundo o neurologista, a família deve procurar avaliação médica quando essas alterações começam a interferir nas atividades que antes eram realizadas com facilidade.

Sinais de alerta

Francisco Vale explica que é comum que pacientes cheguem ao consultório meses ou até anos depois do início dos sintomas, porque familiares podem interpretar as alterações cognitivas como parte natural do envelhecimento. Segundo ele, esse reconhecimento tardio também ocorre entre profissionais de saúde.

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A perda de memória para situações do cotidiano é um dos principais sinais. O neurologista também destaca dificuldades para reconhecer locais conhecidos e realizar tarefas habituais como fatores que devem chamar a atenção dos familiares.

A avaliação neurológica é importante para diferenciar o envelhecimento normal de um quadro que possa estar relacionado à demência ou ao Alzheimer.

Diagnóstico

De acordo com o médico, o diagnóstico tem como base a avaliação clínica, que considera os sintomas apresentados pelo paciente, a história familiar e outras informações obtidas durante a consulta. A investigação também pode incluir exames laboratoriais e de imagem.

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A ressonância magnética é um dos exames utilizados. Também existem exames do líquor, capazes de identificar biomarcadores relacionados ao Alzheimer, e o PET amiloide, considerado pelo especialista o padrão-ouro para identificar a quantidade de amiloide no cérebro.

O neurologista também destacou o avanço dos exames de sangue para a identificação da doença. Segundo ele, esses testes ainda não são utilizados de forma geral como exames confirmatórios, mas um deles está em avaliação para essa finalidade. A expectativa é de que a alternativa seja mais prática e tenha custo menor.

Tratamento precoce

O diagnóstico precoce pode melhorar significativamente o prognóstico, segundo Francisco Vale. Além dos medicamentos já utilizados, o médico destacou dois novos medicamentos liberados pela Anvisa no ano passado e que já estão sendo comercializados e prescritos.

Os medicamentos são classificados como modificadores da doença e atuam na redução da quantidade de amiloide no cérebro. Segundo o neurologista, estudos demonstram que a redução pode retardar a progressão do Alzheimer por um período de três a cinco anos.

O tratamento, porém, não representa a cura da doença e os medicamentos são indicados para quadros muito iniciais, no máximo em casos de demência leve. Por isso, de acordo com o especialista, identificar a doença precocemente se tornou ainda mais relevante.

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