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Uso do celular ajuda idosos a ganhar autonomia, mas exige cuidados

Terapeuta ocupacional destaca benefícios da tecnologia para a comunicação e a saúde mental, mas alerta para excesso de telas, golpes e isolamento
celular
Foto: Pexels/Canva

O uso de celulares e da internet por pessoas com 60 anos ou mais cresceu no Brasil. Segundo dados do IBGE citados durante a entrevista, a parcela dessa população que acessou a internet passou de 70,1% em 2024 para 74,5% em 2025.

A terapeuta ocupacional Lígia Beatriz Romeiro Rose, especialista em gerações, explica que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de lazer e passou a fazer parte de tarefas cotidianas, como serviços bancários, pedidos de comida, transporte e acesso a consultas. Para ela, aprender a utilizar esses recursos é importante para que os idosos tenham mais autonomia e não dependam de familiares para atividades do dia a dia.

Ao mesmo tempo, o uso do celular precisa ser acompanhado de cuidados. A especialista destaca que a tecnologia pode ajudar a reduzir a solidão e aproximar idosos de familiares e amigos, mas o uso excessivo e passivo das redes sociais pode trazer efeitos negativos para a saúde mental.

Autonomia

De acordo com Lígia, o celular pode ser uma ferramenta importante para a independência dos idosos, desde que seja utilizado de acordo com as necessidades de cada pessoa. Não é necessário aprender a utilizar todos os aplicativos, mas aqueles que tenham uma função prática na rotina.

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A especialista também afirma que a inclusão digital não significa apenas entregar um aparelho ao idoso. É preciso que ele consiga utilizá-lo com autonomia, independência, segurança e senso crítico.

Entre os benefícios está a possibilidade de manter contato com familiares e amigos por mensagens, e-mails e videochamadas. Segundo Lígia, esse tipo de interação pode contribuir para diminuir a solidão e o isolamento social, fatores relacionados à saúde mental.

Uso excessivo

Apesar dos benefícios, o excesso de tempo diante das telas pode ser prejudicial. A terapeuta ocupacional afirma que não existe um período de uso considerado adequado para todos os idosos, já que a relação com a tecnologia depende da rotina e das necessidades de cada pessoa.

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Ela aponta como sinais de alerta situações em que o celular começa a prejudicar o sono, reduzir a prática de atividades físicas ou diminuir a participação social presencial. Outro problema é quando a pessoa passa a se comunicar apenas pelas redes sociais e deixa de considerar necessários os encontros físicos.

A especialista também chama atenção para os riscos de golpes virtuais. Segundo ela, idosos precisam aprender a identificar links suspeitos, evitar compartilhar senhas com desconhecidos e buscar ajuda de pessoas de confiança quando tiverem dúvidas.

Apoio familiar

Para Lígia, familiares e cuidadores devem evitar fazer as tarefas digitais pelos idosos. A orientação é ensinar e realizar as atividades junto com eles, para que possam adquirir confiança e autonomia no uso do aparelho.

Ela também destaca que aprender algo novo pode ser um desafio em qualquer faixa etária, mas que, para os idosos, é importante contar com alguém de confiança nesse processo. O objetivo é estimular a independência sem deixar de oferecer acompanhamento e segurança.

Na avaliação da especialista, a principal questão é observar qual espaço o celular ocupa na vida do idoso. A tecnologia deve contribuir para que ele participe mais da própria vida, e não substituir atividades, relações sociais e experiências presenciais.

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