O câncer de próstata provocou 538 mortes em Ribeirão Preto entre 2016 e 2025, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde. Cerca de 96% dos homens que morreram em decorrência da doença tinham 60 anos ou mais.
Durante o Novembro Azul, campanha de conscientização sobre a saúde masculina, o médico oncologista Diocésio Andrade destacou à CBN Ribeirão a importância do acompanhamento regular com o urologista. Segundo ele, o câncer de próstata pode evoluir sem sintomas e, quando os sinais aparecem, a doença já pode estar em estágio avançado.
O especialista também explicou que as recomendações para o início do acompanhamento variam conforme o histórico familiar e outros fatores de risco. Para homens sem histórico familiar, a orientação geral é começar aos 50 anos. Já aqueles com casos da doença na família ou homens negros devem iniciar aos 45 anos.
Diagnóstico precoce
Andrade explica que o acompanhamento deve incluir a avaliação do urologista, com discussão sobre a realização do exame de toque retal e a coleta do PSA, exame de sangue que auxilia na investigação da doença.
O médico alerta que dificuldades para urinar e necessidade de levantar várias vezes durante a noite nem sempre indicam câncer. Esses sintomas costumam estar relacionados à hiperplasia prostática benigna, uma condição que provoca o aumento da próstata. O câncer, por sua vez, geralmente se desenvolve na região periférica do órgão e pode não apresentar sinais nas fases iniciais.
Leia também
“Pra gente esperar que ele dê sintomas, normalmente a gente vai ter uma doença já avançada”, afirmou o oncologista. Segundo ele, a doença também pode provocar metástases nos ossos, que demoram a apresentar sintomas. Por isso, alguns pacientes recebem o diagnóstico quando o tumor já está disseminado.
Tratamentos
O oncologista ressaltou que os avanços tecnológicos têm contribuído para tratamentos mais precisos e com menos efeitos colaterais. Quando o câncer está localizado, uma das possibilidades é a cirurgia, que pode ser realizada com auxílio de tecnologia robótica.
Outra opção é a radioterapia, que também evoluiu com técnicas capazes de direcionar a aplicação para a próstata e preservar estruturas próximas. Entre os principais efeitos colaterais que podem ocorrer estão a impotência sexual e a incontinência urinária.
Andrade explicou que a quimioterapia geralmente não é necessária nos casos de câncer de próstata localizado. Ela pode ser indicada em situações mais avançadas, especialmente quando a doença apresenta metástases e não responde ao tratamento hormonal.
O médico também destacou que o diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de preservar a qualidade de vida. Em estágios avançados, pode ser necessário reduzir a produção de testosterona por meio de tratamento hormonal, o que pode provocar impotência sexual.
Fatores de risco
Além do histórico familiar, o oncologista apontou a obesidade, o sedentarismo e o tabagismo como fatores associados ao desenvolvimento do câncer de próstata. A prática regular de atividade física e o controle do peso também são importantes para a saúde.
Andrade reconheceu que parte dos homens ainda tem receio de procurar atendimento por preconceito ou vergonha relacionados ao exame de toque. No entanto, segundo ele, a procura por acompanhamento tem aumentado nos últimos anos.
O especialista reforçou que os homens não devem esperar o aparecimento de sintomas para buscar avaliação médica. Ele alertou que deixar de fazer consultas e exames de rotina pode atrasar o diagnóstico e reduzir as possibilidades de tratamentos com menos efeitos colaterais.



