O fenômeno El Niño, já confirmado, deve aumentar a variabilidade climática no Sudeste, segundo o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Alfredo Luiz. Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, ele explicou que os principais impactos esperados para a região são períodos de seca durante a primavera e o verão, além de ondas de calor.
De acordo com o pesquisador, diferente de outras regiões do país, onde o El Niño costuma apresentar efeitos mais definidos, no Sudeste o principal desafio é a falta de previsibilidade sobre o comportamento do clima. Essa alteração pode afetar culturas agrícolas e exigir maior preparação dos produtores rurais.
Alfredo Luiz destacou que, para a agricultura, o cuidado com o solo e a adoção de práticas de conservação são medidas que podem aumentar a resistência das lavouras diante de períodos de estiagem e mudanças nas condições climáticas.
Impactos climáticos
O pesquisador explicou que o trabalho realizado pela Embrapa Meio Ambiente está relacionado à agrometeorologia, área que analisa como o clima influencia a produção agropecuária. Segundo ele, no Sudeste, o El Niño pode provocar mudanças no padrão considerado normal.
Entre os efeitos esperados estão períodos mais longos de seca durante a primavera e o verão, época em que grande parte da agricultura a céu aberto é realizada no Brasil, além de ondas de calor acima da média.
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Alfredo Luiz afirmou que o fenômeno já está confirmado pela elevação da temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial, mas que os impactos no Brasil ainda dependem das condições climáticas que serão observadas nos próximos meses.
Manejo agrícola
Na região de Ribeirão Preto, onde a cana-de-açúcar é uma das principais culturas, o pesquisador explicou que os efeitos do El Niño podem variar. Segundo ele, em alguns momentos, o período seco pode até favorecer a colheita, dependendo de quando ocorrer.
Os impactos maiores podem acontecer em culturas como hortaliças e em áreas afetadas por eventos como ondas de calor e chuvas de granizo. Por isso, o pesquisador recomenda que os produtores adotem práticas de cuidado permanente com a propriedade.
Entre as medidas citadas estão a manutenção da fertilidade do solo, correção da acidez, adubação, conservação de solo e água, plantio direto, rotação de culturas, adubação verde, curvas de nível e terraceamento.
Irrigação
Alfredo Luiz também destacou que a irrigação pode ser uma alternativa para reduzir os impactos da seca, mas depende de fatores como disponibilidade de água em quantidade e qualidade, além de energia para o bombeamento.
Segundo ele, antes de investir em irrigação, o produtor precisa avaliar economicamente se o investimento terá retorno. Com a maior imprevisibilidade do clima, a tecnologia pode se tornar uma ferramenta importante para reduzir riscos na produção.
O pesquisador ainda ressaltou que alguns eventos, como chuvas de granizo, são mais difíceis de prever e controlar por serem fenômenos muito localizados. Nesses casos, o cuidado com a estrutura da propriedade e a conservação do solo podem ajudar a reduzir os prejuízos causados pela falta de chuva.



