Mesmo com a oferta de diferentes produtos financeiros, a poupança continua entre as modalidades de investimento mais utilizadas pelos brasileiros. Segundo dados do Raio X da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), citados pelo consultor de investimentos e previdência André de Souza Vasconi, 61% dos brasileiros que investem mantêm dinheiro na caderneta.
Em entrevista à CBN Ribeirão, Vasconi explicou que a poupança faz parte da cultura financeira do país e permanece associada ao hábito de guardar dinheiro. Criada em 1862, durante o governo de Dom Pedro II, a modalidade atravessou gerações e continua presente na memória dos investidores.
Apesar da popularidade, o consultor avalia que a rentabilidade da poupança não é tão atrativa quanto a de outros produtos disponíveis no mercado, como fundos de investimento e aplicações de renda fixa e renda variável. Um dos principais diferenciais, porém, é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas sobre os rendimentos.
Confiança e segurança
A confiança nas instituições financeiras e a possibilidade de retirar o dinheiro quando necessário também ajudam a explicar a permanência da poupança entre as escolhas dos brasileiros. Segundo Vasconi, a liquidez permite que o investidor resgate os recursos a qualquer momento.
Outro fator apontado pelo consultor é a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A cobertura pode chegar a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado, respeitado o limite global de R$ 1 milhão em garantias pagas a cada período de quatro anos.
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Essa proteção, segundo ele, contribui para a confiança dos investidores em aplicações cobertas pelo fundo. Vasconi também lembrou o episódio do Plano Collor, em 1990, quando os saldos da poupança foram bloqueados pelo governo federal.
Perfil do investidor
Para quem deseja buscar alternativas à poupança, o consultor recomenda primeiro identificar o perfil e os objetivos financeiros. Uma das ferramentas utilizadas nesse processo é a Análise de Perfil do Investidor (API), que permite avaliar a disposição de cada pessoa para assumir riscos.
A partir dessa avaliação, é possível identificar se o investidor tem um perfil conservador, moderado ou arrojado e montar uma carteira de acordo com o prazo dos objetivos e a necessidade de acesso ao dinheiro.
“Hoje, como diz no mercado financeiro, o melhor jargão é: não coloquem os mesmos ovos numa cesta só. A melhor forma de você diversificar risco é colocando um pouco em cada cesta”, orientou Vasconi.
Educação financeira
O consultor também destacou que a capacidade de investir começa pela organização das finanças pessoais e familiares. Segundo ele, controlar receitas e despesas é fundamental para conseguir poupar e construir uma reserva destinada à realização de objetivos e à segurança no futuro.
“Você só consegue poupar quando consegue organizar suas finanças, tanto pessoais como as da sua casa, da sua empresa. Assim, a gente consegue construir uma parte de investimento para que você possa realizar seus sonhos e garantir seu futuro mais tranquilo”, afirmou.



