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Pesquisa em Ribeirão Preto testa exame de sangue para identificar retorno de linfoma

Estudo do Hemocentro e do Hospital das Clínicas acompanha 52 pacientes e compara a biópsia líquida com exames de imagem usados no monitoramento do câncer
Pesquisa
Foto: reprodução

Uma pesquisa desenvolvida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com o Hospital das Clínicas, testa uma técnica que pode ajudar a identificar sinais de retorno do câncer antes do aparecimento dos sintomas. O estudo utiliza a chamada biópsia líquida, um exame de sangue que procura fragmentos do material genético liberados pelas células tumorais na corrente sanguínea.

A proposta é avaliar se a tecnologia pode auxiliar no acompanhamento de pacientes com linfoma após o tratamento com quimioterapia ou radioterapia. Atualmente, esse monitoramento é feito principalmente por exames de imagem, como a tomografia por emissão de pósitrons associada à tomografia computadorizada, conhecida como PET-CT.

Segundo o diretor do Hemocentro de Ribeirão Preto, Rodrigo Calado, o procedimento exige apenas a coleta de dois ou três tubos de sangue. O material é analisado para identificar fragmentos do DNA do tumor, e não as células cancerígenas propriamente ditas.

“É um exame de sangue simples. São coletados dois ou três tubos de sangue e vamos tentar detectar não a célula em si, mas fragmentos do DNA, do material genético do tumor”, explicou.

Monitoramento

A pesquisa acompanha 52 pacientes com linfoma não Hodgkin agressivo, um tipo de câncer que atinge o sistema linfático, responsável por parte da defesa do organismo.

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O objetivo é comparar os resultados da biópsia líquida com os exames de PET-CT para verificar se a nova técnica apresenta sensibilidade semelhante na identificação de possíveis sinais da doença. De acordo com Calado, o acompanhamento próximo é importante tanto para avaliar a resposta ao tratamento quanto para identificar precocemente uma possível recaída.

Os exames de imagem utilizados atualmente têm custo elevado e não estão disponíveis em todas as cidades. Por isso, muitos pacientes precisam viajar até unidades especializadas para realizar o monitoramento.

Acesso ao exame

Uma das vantagens que os pesquisadores pretendem avaliar é a possibilidade de facilitar o acesso ao acompanhamento. Como a análise depende de uma amostra de sangue, a coleta poderia ser feita em laboratórios próximos à residência do paciente, com o material encaminhado ao Hemocentro para avaliação.

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“Esse tipo de exame de sangue pode facilitar. A pessoa pode ir ao laboratório, coletar o exame, pode ser em qualquer lugar, e o tubo de sangue é que é encaminhado para o laboratório, e não o paciente que precisa vir até o hospital”, afirmou o diretor.

A pesquisa também investiga a possibilidade de utilizar informações genéticas do tumor para auxiliar na definição de tratamentos mais adequados e, em algumas situações, reduzir a necessidade de procedimentos invasivos.

Fase de testes

Apesar das possibilidades, a biópsia líquida ainda está em fase de pesquisa e não substitui os exames convencionais. Os pesquisadores precisam concluir a comparação entre os resultados das análises de sangue e os exames de PET-CT para avaliar a confiabilidade da tecnologia.

O Hemocentro de Ribeirão Preto já dispõe dos equipamentos necessários para realizar as análises, mas ainda não há previsão de quando o procedimento poderá ser incorporado à rotina dos hospitais. Por enquanto, o estudo permanece restrito aos 52 pacientes acompanhados pelo Hospital das Clínicas.

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