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Uma em cada quatro pessoas com mais de 60 anos trabalha no estado de São Paulo

Pesquisa da Fundação Seade aponta que 2,2 milhões de idosos estavam na força de trabalho no segundo trimestre; sociólogo destaca necessidade de políticas de inclusão e valorização dessa população
60 anos
Andrea Piacquadio de Pexels/Canva

Uma em cada quatro pessoas com 60 anos ou mais integra a força de trabalho no estado de São Paulo. É o que aponta uma pesquisa da Fundação Seade, com base em dados do IBGE. No segundo trimestre deste ano, 2,2 milhões de idosos trabalhavam ou procuravam emprego, o equivalente a 26,5% dos 8,3 milhões de paulistas nessa faixa etária.

A participação no mercado de trabalho é maior entre os homens. Na faixa dos 60 aos 69 anos, 53,4% deles integravam a força de trabalho, praticamente o dobro do índice registrado entre as mulheres, de 28,8%.

Para o sociólogo Vmir Souza, é importante diferenciar quem continua trabalhando por realização pessoal daqueles que precisam da renda para sobreviver. Segundo ele, enquanto a primeira situação é mais comum entre pessoas de maior renda, muitos trabalhadores de classes mais baixas dependem da atividade profissional mesmo depois de se aposentar.

Necessidade financeira

O sociólogo destaca que a maioria dos aposentados recebe um salário mínimo por mês, valor que, segundo ele, não é suficiente para atender às necessidades de muitas famílias. Além de complementar a própria renda, parte dos idosos também ajuda a sustentar outros familiares.

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Souza avalia que a permanência no mercado de trabalho pode representar uma necessidade, especialmente diante das dificuldades de conseguir uma vaga formal depois dos 50 anos. Para ele, trabalhadores mais velhos acabam sendo afastados das oportunidades, apesar da experiência e das competências acumuladas ao longo da carreira.

Nesse cenário, o trabalho por conta própria aparece como alternativa. O sociólogo, porém, questiona o uso do termo empreendedorismo para descrever essas atividades. Na avaliação dele, muitas vezes são formas de trabalho sem condições adequadas, nas quais a pessoa precisa explorar a própria mão de obra para garantir a sobrevivência.

Desigualdade salarial

A pesquisa também aponta diferenças na remuneração entre homens e mulheres com 60 anos ou mais. A renda média mensal dos homens é de R$ 5.612, enquanto a das mulheres chega a R$ 4.137. Quando o cálculo considera o valor por hora trabalhada, a média é de R$ 35 para eles e R$ 29 para elas.

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Souza afirma que a desigualdade pode ser ainda maior quando são considerados fatores como raça e etnia. Ele também chama a atenção para o trabalho informal realizado por mulheres dentro de casa, que nem sempre aparece nas pesquisas sobre ocupação.

Entre as atividades citadas pelo sociólogo estão serviços domésticos, produção de alimentos para venda, costura, bordado e comercialização de roupas e cosméticos. Segundo ele, essas atividades ajudam a complementar a renda e, em muitos casos, são fundamentais para a manutenção das famílias.

Políticas públicas

Outro desafio apontado pelo sociólogo é o envelhecimento da população e o impacto dessa mudança na organização das famílias. Ele cita a chamada geração sanduíche, formada por pessoas que precisam sustentar os filhos e, ao mesmo tempo, cuidar dos pais idosos.

Nesse contexto, Souza defende a ampliação de políticas públicas voltadas à população mais velha, incluindo a distribuição de medicamentos, o acompanhamento de saúde e a formação de mais geriatras pelas universidades públicas.

O sociólogo também considera urgente a criação de políticas para ampliar a inclusão de trabalhadores com mais de 50 anos no mercado. Ele destaca que a idade mínima de 65 anos para aposentadoria aumenta a preocupação de quem enfrenta dificuldades para conseguir emprego antes de atingir esse limite.

Para Souza, a valorização dos idosos também precisa considerar os custos relacionados ao envelhecimento, como medicamentos, alimentação e equipamentos necessários no cotidiano. Segundo ele, é necessário discutir formas de garantir melhores condições de vida para aposentados e trabalhadores mais velhos.

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