O uso de ferramentas de inteligência artificial por jovens cresce ao mesmo tempo em que resultados educacionais apontam dificuldades em habilidades básicas. Segundo dados do PISA 2025 mencionados na entrevista, 48% dos jovens de 15 anos já utilizam chatbots de IA para aprender, enquanto 72% permanecem abaixo do nível básico em matemática.
Para Antônio Steca, especialista em avaliação e regulação da educação superior, o cenário reforça a necessidade de preparar os estudantes para o letramento digital. Ele afirma que não basta saber utilizar ferramentas de inteligência artificial, mas é necessário compreender como empregá-las de maneira adequada para que elas contribuam para o aprendizado.
O especialista também destaca que o Brasil manteve os resultados anteriores no Pisa, enquanto os países membros da OCDE tiveram uma queda significativa no desempenho em matemática, leitura e ciências. Segundo ele, a redução da aprendizagem de conteúdos elementares é um movimento observado internacionalmente.
Letramento digital
Steca afirma que o Brasil já possui diretrizes para orientar o ensino relacionado ao pensamento computacional, ao mundo digital e à cultura digital. Segundo ele, a DNCC Computação está publicada desde 2022 e estabelece orientações para as escolas.
O objetivo, de acordo com o especialista, é ensinar os estudantes a utilizar a tecnologia a favor do próprio desenvolvimento, sem permitir que a facilidade proporcionada pelas ferramentas reduza suas potencialidades cognitivas.
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Para isso, porém, existem desafios de implementação. Entre eles estão a formação dos professores, a infraestrutura disponível nas escolas e a maneira como as diretrizes são incorporadas aos currículos dos estados.
Desenvolvimento cognitivo
Segundo Steca, o impacto do uso inadequado da inteligência artificial pode ser maior entre os jovens porque eles ainda estão em processo de desenvolvimento. A acomodação diante de ferramentas que realizam tarefas e resolvem problemas pode limitar o desenvolvimento de determinadas competências.
O especialista defende que os estudantes tenham momentos de aprendizagem sem o uso de tecnologias. Ele cita, por exemplo, a retirada do celular das escolas, com utilização dos aparelhos apenas quando houver uma finalidade pedagógica.
Em casa, a orientação também deve ser acompanhada pelas famílias. Segundo Steca, trabalhos escolares podem ser realizados sem inteligência artificial ou ferramentas computacionais quando essa for a proposta da atividade, enquanto outras tarefas podem prever o uso desses recursos de maneira orientada.
Escola e família
Para o especialista, o uso da tecnologia na educação exige planejamento e apoio das escolas e dos governos municipal, estadual e federal. Ao mesmo tempo, ele afirma que é necessário revisar as expectativas sobre quais competências e habilidades os jovens precisam desenvolver atualmente.
Steca ressalta que algumas habilidades valorizadas no início dos anos 2000 podem não ser exatamente as mesmas necessárias no mundo atual, diante da existência de tecnologias capazes de auxiliar em atividades que antes dependiam exclusivamente das pessoas.
O especialista defende, por fim, uma atuação conjunta entre escolas e famílias para acompanhar como os estudantes utilizam a inteligência artificial e identificar aquilo que conseguem ou não realizar sem o auxílio das ferramentas. Segundo ele, essa parceria é necessária para lidar com os desafios da educação em um ambiente cada vez mais digital.



