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Ministério Público aponta contradições em depoimentos sobre morte de tatuador em Nuporanga

Professora afirmou que menina de 8 anos negou ter sido importunada pela vítima; tatuador morreu dois dias após ser agredido durante o Carnaval
Ministério
Foto: Reprodução/ Câmeras de segurança

O Ministério Público identificou contradições nos depoimentos de testemunhas sobre a morte do tatuador Vítor Fonseca, de 42 anos, agredido durante o Carnaval em Nuporanga, na região de Ribeirão Preto. Um dos novos relatos é de uma professora que afirmou ter ouvido da própria criança, de 8 anos, que aparece nas imagens do caso, que a vítima não havia feito nada contra ela.

O crime aconteceu na madrugada de 15 de fevereiro deste ano. Vítor levou um soco, caiu desacordado e bateu a cabeça no chão. Ele morreu dois dias depois, em decorrência de um traumatismo craniano.

O responsável pela agressão, Vitor Manoel, de 25 anos, tornou-se réu e responde por lesão corporal seguida de morte. Na época, ele alegou que agiu porque o tatuador estaria importunando crianças durante a festa. Essa versão, porém, não foi confirmada pela investigação.

Depoimentos divergentes

Segundo o relato da professora, a criança contou que Vítor se aproximou para perguntar por que ela estava sozinha na rua durante a madrugada. A menina teria explicado que estava indo encontrar a irmã em uma praça, e o tatuador teria se oferecido para acompanhá-la.

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O Ministério Público também apontou mudanças nas versões apresentadas por pessoas que estavam com o réu no momento da agressão. O irmão de Vitor Manoel, por exemplo, afirmou inicialmente que o tatuador estaria seguindo o grupo e que eles chegaram a mudar o caminho para verificar a suposta perseguição. Depois, disse que havia considerado normal a atitude da vítima.

A esposa do réu também apresentou versões diferentes. Primeiro, afirmou à polícia que o tatuador teria chamado a criança para acompanhá-lo, o que teria provocado a reação do marido. Em depoimento à Justiça, posteriormente, disse que Vítor teria puxado a menina e se recusado a se afastar.

As imagens de câmeras de segurança, no entanto, mostram que foi o próprio agressor quem se aproximou do tatuador. Para a acusação, os registros também contradizem a versão de que a vítima estaria perseguindo o grupo. O advogado Ricardo Rocha, assistente de acusação no processo, afirmou que as divergências serão utilizadas para questionar a versão apresentada pelo réu e pelas testemunhas.

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Penas solicitadas

A defesa da acusação também comentou os pedidos de pena. Segundo o advogado, o Ministério Público solicita uma punição superior a quatro anos de prisão e que o réu cumpra a pena, pelo menos, em regime semiaberto.

A assistência de acusação pede uma condenação de oito a nove anos de prisão, em regime fechado. A pena prevista para o crime de lesão corporal seguida de morte começa em quatro anos, mas pode ser maior, dependendo das circunstâncias do caso.

O processo segue em análise pela Justiça, e ainda não há sentença. A reportagem procurou a defesa de Vitor Manoel, mas não houve manifestação até a publicação. O espaço permanece aberto.

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