Ribeirão Preto registrou 5.705 ocorrências de furtos de fios e cabos entre janeiro e setembro deste ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O número representa uma redução de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 7.193 casos.
Apesar da queda, o crime continua provocando prejuízos que vão além das empresas responsáveis pela infraestrutura. O furto de fiação pode comprometer serviços de telefonia, redes elétricas, sinalização e o funcionamento de equipamentos públicos, além de causar transtornos aos moradores.
O assunto voltou a chamar a atenção após a Polícia Militar recuperar aproximadamente uma tonelada de fios de telefonia na tarde de quarta-feira (4). O material estava em um carro abandonado próximo à comunidade Maria de Lourdes, na região do Parque dos Pinos.
Uma tonelada apreendida
Os policiais chegaram ao endereço depois de receber uma denúncia de furto de fios. Os suspeitos fugiram antes da chegada das equipes, mas deixaram para trás um veículo carregado com a fiação. Havia cabos dentro e fora do carro, além de ferramentas. Parte do material estava sendo queimada para retirar a proteção plástica e facilitar a extração do cobre.
Segundo o capitão Don, da Polícia Militar, o veículo já havia sido registrado anteriormente como suspeito de envolvimento em outros furtos de fios. No interior do carro, os policiais também encontraram um celular, que foi apreendido e encaminhado à Central de Polícia Judiciária.
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“Provavelmente, através desse aparelho telefônico, chegaremos até o proprietário do celular, o proprietário do veículo, o qual será responsabilizado pelo crime”, afirmou o capitão.
Alguns dos fios recuperados têm identificações e números de série que podem ajudar a Polícia Civil a descobrir a empresa responsável pelo material. A corporação ficará encarregada de investigar o caso e identificar os envolvidos.
Combate à receptação
Além de quem pratica os furtos, as autoridades buscam identificar os estabelecimentos que compram e comercializam fios e cabos de origem ilegal. Em Ribeirão Preto, a Guarda Civil Metropolitana atua em conjunto com a Fiscalização Geral na vistoria de ferros-velhos, depósitos e sucatas.
O coordenador operacional da Guarda Civil Metropolitana, Paulo Sérgio Oliveira, afirmou que a corporação acompanha estabelecimentos suspeitos e também realiza operações conjuntas com a Polícia Civil.
Segundo ele, durante a semana, cinco ferros-velhos sem cadastro foram monitorados. A Fiscalização Geral foi comunicada para programar vistorias e tomar as medidas necessárias contra os estabelecimentos irregulares.
“Quando há fiscalização e encontra exatamente tanto o estabelecimento irregular por falta de licença, de alvará para funcionar, quanto estabelecimento que já tem prática delituosa, ele é lacrado. Se tiver alvará, ele vai ser cassado”, explicou Oliveira.
O coordenador também destacou que, quando são encontrados materiais que podem pertencer a redes de telefonia, energia elétrica ou semáforos, os órgãos responsáveis são acionados para verificar a origem e confirmar possíveis irregularidades. Se for constatada a origem ilícita, é registrado um boletim de ocorrência, o responsável pode responder por receptação e o estabelecimento pode ser lacrado.
Fiscalização e denúncias
A legislação municipal prevê multas que podem ultrapassar R$ 300 mil para casos de aquisição, armazenamento ou comercialização irregular de fios e materiais elétricos. As penalidades também podem incluir lacração do estabelecimento e cassação do alvará de funcionamento.
A Secretaria de Segurança Pública informou que o combate a esse tipo de crime envolve policiamento preventivo e investigações da Polícia Civil. O planejamento das ações considera os indicadores criminais e busca reforçar a presença policial nas regiões com maior incidência de ocorrências.
A pasta também destaca a importância do registro de boletins de ocorrência, inclusive pela internet. Os dados registrados ajudam a identificar os locais mais afetados e a direcionar o trabalho das forças de segurança. A ausência de registros pode fazer com que os números oficiais não representem toda a dimensão do problema.



