O uso do celular ao volante caiu 2% em Ribeirão Preto entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Detran. Foram 1.439 infrações no período, contra 1.468 registradas nos mesmos meses do ano anterior. Apesar da redução, o advogado especialista em trânsito Rodrigo Paschoaloto alerta que o número ainda representa uma preocupação para a segurança viária.
Segundo o especialista, a distração causada pelo aparelho pode fazer com que o motorista deixe de perceber situações importantes no trânsito. A 50 km/h, três segundos de atenção voltada para o celular representam cerca de 41 metros percorridos sem que o condutor esteja atento ao caminho.
Paschoaloto afirma que o risco não está apenas em falar ao telefone. O simples ato de segurar ou manusear o celular enquanto dirige também configura infração de trânsito. Para ele, a preocupação principal deve ser evitar acidentes e preservar vidas, e não apenas evitar uma multa.
Risco no trânsito
O especialista destaca que o celular deixou de ser apenas um aparelho de comunicação e passou a concentrar diversas funções, como acesso à internet, vídeos, redes sociais e aplicativos. Com isso, segundo ele, muitas pessoas acabam ficando excessivamente dependentes do dispositivo.
No trânsito, essa distração pode comprometer a direção defensiva. Paschoaloto explica que, ao olhar para o celular, o motorista deixa de prestar atenção ao que acontece ao redor do veículo e pode não perceber uma criança atravessando a rua, uma placa de parada ou outras situações de risco.
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O problema também aparece em situações corriqueiras. Segundo o especialista, é comum que motoristas aproveitem a parada no semáforo para olhar o celular e continuem distraídos mesmo depois que o sinal abre, sendo necessário que outros condutores buzinem para alertá-los.
Perigo geral
A preocupação, segundo Paschoaloto, não se limita aos motoristas de carros. Motociclistas, ciclistas e pedestres também podem se colocar em risco ao utilizar o celular enquanto circulam pelo trânsito.
O especialista ressalta que o trânsito é formado por todas as pessoas que estão em movimento, cada uma sujeita a regras específicas. Ele cita ainda os veículos elétricos, como patinetes, e afirma que a falta de atenção durante a condução também pode provocar acidentes.
Além do celular, o uso de fones de ouvido também é apontado pelo advogado como um problema por reduzir a atenção da pessoa em relação ao trânsito. Para ele, a segurança deve ser prioridade, independentemente do meio de transporte utilizado.
Segurança primeiro
Para motoristas de aplicativos, a recomendação é não aceitar ou consultar uma nova corrida enquanto o veículo estiver em movimento. Paschoaloto afirma que é preferível perder uma corrida a colocar em risco a própria vida e a de outras pessoas.
A orientação vale também para outras situações em que o celular parece exigir uma resposta imediata. Se for necessário atender a uma ligação, responder mensagem ou realizar um pagamento, o motorista deve procurar um local seguro para parar antes de utilizar o aparelho.
O advogado defende ainda uma maior conscientização dos usuários e cita a fiscalização como uma ferramenta para mudar comportamentos. Segundo ele, equipamentos com inteligência artificial podem ajudar a identificar motoristas que manuseiam o celular, mas a mudança de comportamento deve partir principalmente da percepção de que poucos segundos de distração podem provocar consequências graves.



