Golpes e fraudes pela internet e pelo celular se tornaram uma preocupação crescente entre os brasileiros. Dados apresentados na entrevista apontam que o estelionato passou a ser o principal crime patrimonial registrado no país, com mais de 2,2 milhões de ocorrências em 2025, aumento superior a 400% em relação a 2018.
O avanço das fraudes também mudou a relação das pessoas com a tecnologia. Mais de 83% da população afirma ter medo de ser vítima de uma fraude pela internet ou pelo celular. Para o cientista da computação e especialista em segurança digital Rodrigo de Brino, a evolução das ferramentas digitais também permitiu que criminosos aprimorassem as estratégias usadas nos golpes.
Segundo o especialista, o uso de inteligência artificial tem contribuído para tornar as abordagens mais convincentes. Se antes erros de português e mensagens mal escritas ajudavam a identificar uma tentativa de fraude, agora os criminosos conseguem reproduzir com mais precisão a linguagem e a aparência de instituições e pessoas conhecidas.
Golpes sofisticados
De acordo com Rodrigo de Brino, os aplicativos colocados por empresas e instituições ao alcance dos usuários facilitaram o acesso a serviços, mas também abriram novas possibilidades para os criminosos. Com a inteligência artificial, as abordagens podem ganhar aparência mais profissional e dificultar a identificação do golpe.
O especialista afirma que mais de 50% das pessoas já sofreram algum tipo de golpe, segundo pesquisas mencionadas na entrevista. Para reduzir os riscos, ele recomenda a chamada “regra de ouro”: parar, verificar e agir.
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Os criminosos costumam explorar o senso de urgência e a emoção das vítimas para induzir transferências, instalação de aplicativos ou fornecimento de códigos de segurança. Também podem usar fotos de redes sociais e se passar por conhecidos que supostamente trocaram de número de telefone.
Nesse caso, a orientação é interromper o contato e confirmar a informação por outro meio. A pessoa pode ligar para o número antigo do conhecido ou procurar um parente ou amigo para verificar se a mudança realmente aconteceu.
Como se proteger
Rodrigo de Brino também orienta os usuários a desconfiar de links recebidos por WhatsApp e e-mail, inclusive em contas corporativas. Segundo ele, uma mensagem suspeita pode ser analisada com auxílio de ferramentas de inteligência artificial.
A recomendação é copiar o conteúdo da mensagem ou fazer uma captura de tela e pedir a uma ferramenta de IA que avalie se há indícios de golpe ou fraude. A tecnologia, segundo o especialista, pode ser utilizada não apenas pelos criminosos, mas também como mecanismo de proteção.
Outra medida indicada é ativar a autenticação em duas etapas, principalmente nas redes sociais. O especialista também recomenda nunca fornecer dados pessoais, senhas ou informações bancárias para alguém que entrou em contato por telefone.
No caso de uma ligação supostamente feita por uma instituição financeira, a orientação é desligar e procurar os canais oficiais. O usuário pode utilizar o telefone informado no cartão ou acessar diretamente o aplicativo oficial do banco.
Golpe
O especialista também sugere, quando possível, manter os aplicativos bancários em um celular separado, com poucos recursos disponíveis. Dessa forma, em caso de perda, furto ou roubo do aparelho, o prejuízo pode ser reduzido.
Se a pessoa perceber que caiu em um golpe, a primeira providência deve ser entrar em contato com o banco ou com a instituição financeira envolvida e solicitar o bloqueio das operações e dos recursos. Segundo Rodrigo, os criminosos agem rapidamente para tentar retirar o dinheiro.
Depois, a recomendação é registrar um boletim de ocorrência. O registro permite que as autoridades tenham acesso aos dados sobre esse tipo de crime e possam direcionar investigações e ações de prevenção.



