Ribeirão Preto terá um novo Centro de Pesquisa em Imunogenômica do Câncer, que será sediado no Hemocentro da USP. A iniciativa foi aprovada pela FAPESP entre cinco novos centros de pesquisa no estado de São Paulo e deve começar a funcionar nos próximos um ou dois meses.
Coordenado pelo diretor-presidente do Hemocentro de Ribeirão Preto, Rodrigo Calado, o centro terá como foco o estudo da relação entre o sistema imunológico e o câncer, além dos mecanismos moleculares envolvidos no desenvolvimento e na progressão da doença.
A pesquisa terá duração de até dez anos e pretende utilizar tecnologia de ponta e inteligência artificial para identificar fatores genéticos associados a diferentes tipos de câncer. A expectativa é contribuir para estratégias de prevenção, detecção precoce e tratamentos mais precisos.
Risco genético
Um dos principais eixos do centro será investigar, a partir das características genéticas de cada pessoa, quem apresenta maior ou menor risco de desenvolver determinados tipos de câncer. Segundo Rodrigo Calado, esse trabalho poderá ser feito a partir de exames de sangue e ajudar a definir estratégias de acompanhamento mais individualizadas.
A proposta é identificar, por exemplo, mulheres que tenham maior risco de desenvolver câncer de mama e que, por isso, possam precisar de um acompanhamento mais próximo com mamografias. A mesma lógica poderá ser aplicada a outros tipos de câncer, como os de próstata e intestino.
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O estudo também pretende estabelecer, a partir das características da população, quais fatores genéticos estão relacionados a um risco maior ou menor de desenvolvimento da doença.
Tratamento preciso
A experiência do Hemocentro com terapias celulares, incluindo as células CAR-T, também será utilizada como base para ampliar as pesquisas. O objetivo é estudar alvos específicos nas células cancerígenas para que os tratamentos atuem preferencialmente sobre as células doentes, preservando as saudáveis.
Segundo Calado, essa abordagem busca reduzir os efeitos sobre o organismo quando comparada a tratamentos convencionais, como a quimioterapia e a radioterapia, que podem atingir células saudáveis durante o combate ao câncer.
O centro também terá uma vertente voltada à formação de estudantes. Por meio da Casa da Ciência, alunos do ensino básico e médio poderão ter contato com o funcionamento da ciência, a produção do conhecimento científico e os desafios da pesquisa.
Inteligência artificial
A inteligência artificial será utilizada principalmente por meio do aprendizado de máquina. A ferramenta deverá auxiliar os pesquisadores na identificação de alvos que possam ser utilizados no tratamento de pacientes com câncer.
Outra aplicação será a análise de dados genéticos de milhares de pessoas para identificar características associadas a riscos maiores ou menores de desenvolvimento da doença. Para Calado, a tecnologia poderá ser utilizada como aliada na prevenção e no tratamento do câncer.



